domingo, 22 de junho de 2014

Vazio


Tal qual a água da lagoa                                       


Limitada pelas margens
As mesmas paisagens
Orvalho, garoa...

Um dia sonhei ser rio
Nesse vazio mergulhei ao fundo
Que mundo finito, sem graça.
Sem sal, insípido, estúpido.

Devaneei, parti, voltei
Como volta um viajante.
Cansado, ofegante
De tanto andar distante;

Considerei ver o mar

Outras águas, nova vida.
Novos ventos, pensamentos,
Outros ares, novos tempos.

Meu olhar em ti vicia
Sinto suave a carícia
Dessa tríplice delícia
E me deixo embriagar

Assim bem devagarinho
Com afeto, com carinho.

Te ver, te ter, te amar!


quinta-feira, 22 de maio de 2014

Resiliência

Saí, tranquei a porta
Morta deixei a ilusão
Aqui fora, há luz, há vida
Lá dentro só escuridão

Já posso respirar os ares da verdade.
Assim jaz no esquecimento,
Tempos de infelicidade

Cá fora o calor aquece,
O amor acolhe
A paz floresce
A quem quer que olhe

Lá dentro o passado,
A ansiedade insana
Frio que encana.
Até os ossos corroía,
Confusão, disritmia.

Daqui vejo meu futuro
Planejo, intento o bem.
Feliz, íntegro, seguro,
Procuro a passos certos

Com os olhos bem abertos
Na total resiliência
Com clareza e sensatez
Canto o hino da vitória

E de minuto a minuto
Sem tristeza ou dor, sem luto.
Na mais plena lucidez
Por um fim à minha história

De uma vez.



domingo, 6 de outubro de 2013

Certeza

Nesse misto de asfalto e concreto
Abstrato e discreto fico veras
Como a grama dos canteiros
Limitada por um par de meios-fios

Sinto o frio desta cena urbana
O vento que abraça o tempo
Que passa, vida escassa
Sina insana...

O cinza das calçadas nada diz
Lembro do que não fiz
Águas passadas
No presente olho à frente

No tempo que está por vir
Se vou chorar ou sorrir
Não sei, seja o que for
A razão de mim se afasta

Uma certeza porém
Faz companhia
Na dor ou na alegria
Tua presença me basta!

domingo, 8 de setembro de 2013

Avesso

Desconheço o som que não emito
Porém imito do começo
Os que não conheço
Limito-me ao avesso do conflito

E habito no endereço do infinito
Esqueço aflito e demito-me
A preço de um delito

Envelheço ao compasso do meu tempo
Abraço lento as horas que me restam dos meus dias...

Adormeço!